domingo, 15 de novembro de 2009

Árido


Arte - Alissa Monks
Ela já não chora mais

Seus olhos sempre marejados

Não verte a lágrima precisa

Acha que a vida não vale nada

E segue em passos apressados

tentando antecipar a reta concisa

para decerto converter em óleo

sagrado, a lágrima que cairá furtiva.


Se houver tempo...se houver premissa.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Cajuína

http://www.youtube.com/watch?v=ZaxDlDbMppE


Do sopro,
surge uma luz,
vermelha
nas mãos, uma rosa
pequenina,
Era o que a mim
cabia e bastava.
coração batia baixo.
Sensação do ser.
essência da vida
que ora busca,
ora exalta
a epiderme na pele
e ressalta um modo
diferente de viver
não resisti ao encanto.
meu mano Caetano
embalou-me Cajuína,
minha menina.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Admirável Mundo Virtual

Chagal5
















Amigos virtuais
Não os conheço,
mas os amo
como se fossem reais.
a sensibilidade aflora
quando não se advinha
a sagrada hora
por não sabermos
um décimo do seu pranto
ou concebermos com quais encantos
poderemos corresponder
o virtual conteúdo daquele SER
Sem tê-los como sabe-los?
Sem vê-los, como entendê-los?
E pensar que um dia,
posso morrer sem conhecê-los
Meus amigos virtuais
que já são reais.
Pairam como uma fonte
Onde sacio a sede
Possuem o tempo do incenso
Em poucas palavras
Tece-se a rede.
Se um dia, um céu.
eu vier a possuir
quero que lá estejam
para sentir o que no
mundo real sempre
me desejam. PAZ

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Monotonia

Matisse










Poderia ser alegre, mas não


A tarde traz a monotonia


E com ela um violão


sei não, acho que


o mormaço


embaçou


a alma


da canção



ou da poesia



que caiu



da minha



mão.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

SONO

Tarsila - Sono






versos raros


florescem claros


parecem nuvens


no alvorecer


tornam-se caros


em obscuro sono


no anoitecer


quando disponta


o abandono


do meu querer








quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Meu amigo Tulio




Imagem: autor desconhecido




Alguma coisa morreu em mim, quando sem querer perguntei por meu amigo e vizinho , à pessoa que o acompanhava.


Tulio era um rapaz simpático. A idade nunca soube e pouco me interessava.


Conversávamos sempre que nos encontrávamos. Ele, no seu jeitinho que eu entendia.


Falávamos sobre nosso time, o Botafogo. Era quando ele sorria, sempre otimista.


Achava que naquele jogo o Botafogo ganharia. Havia um brilho de esperança e vida.


Chamava-me de "Meu Pão de Mel", "Meu Docinho de Coco", talvez por ser a única que lhe dirigia a palavra.


No verão, a praia era sua alegria. Saia saltitante para ver o mar.

A mãe não parecia suportar bem sua presença. O marido a abandonou assim que ele nasceu e foi constatada a "Síndrome de Down". Nunca a vi. Todos os dias a camionete da APAE o apanhava cedinho e o trazia à tardinha.


Um dia, já era noite, quando entrando no prédio, o vi sozinho , esperando que alguém o buscasse.


Ofereci minha casa, mas ele não aceitou, dizendo um "Vão brigar" quase inaudível.


Certamente estava com fome, sede. Fiquei ali um pouco, mas ele nada falava.


Ele era tranquilo, adorava televisão, sempre sorridente, mas deixava transparecer profunda tristeza no olhar.


Passado um tempo eu o vi indo para a natação, Pilates, judô e tudo que o mantivesse ocupado e longe de casa.


Num exercício mais forte, seu coração não suportou.


Este ano não o verei feliz à caminho da praia.


Quando senti sua falta, ele já havia partido.


Faltou o abraço que nunca dei. E tantas outras coisas que sequer perguntei.


Deve ter sido difícil também para a mãe.


Há casos onde a única solução é a aceitação.


Mais uma estrela solitária no céu.



Fato verídico. Nome preservado



terça-feira, 3 de novembro de 2009

Porto seguro

imagem mail

Ao poeta, a palavra e uso certo
Romper a pureza da alva folha
No mundo das ideias que ele vela.
É um grito ou romper da bolha,
No ato da criação que se revela.

Sabe-se dos remos e da nau o rumo,
Macular a folha diante da traçada rota!
Sacro momento, onde só o porto importa.
A ideia. do poeta é decerto o prumo.

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